• Jill Muricy

Na Dança do SUCESSO

Na vida é preciso dançar conforme a música: E qual é a música que dançando alcança o SUCESSO? Ela não tem nome. Mas é aquela que se dança em qualquer circunstância da vida. Nos dias nublados e ensolarados. Chorando ou sorrindo. Em qualquer situação é necessário determinação, para dar a volta por cima.

Kadu e Vivi mostrando que sabem DANÇAR

Carlos Eduardo Elias Vieira, Kadu, 34 anos, professor de dança, nascido do bairro de Vaz Lobo, subúrbio do Rio de Janeiro. Teve uma infância normal, porém sua adolescência foi marcada por fortes acontecimentos. Aos 13 anos, perdeu a mãe, dois anos depois o pai faleceu. Kadu passou a ser criado por uma tia, que sempre cuidara dele.


Quando fez 15 anos, foi morar em Bonsucesso com um tio materno, que era casado e tinha dois filhos. Após 5 anos morando com eles, Kadu saiu de casa e foi morar sozinho no centro da cidade. Começou a trabalhar na escola de dança, onde se profissionalizou. A princípio fazia serviço de rua e faxina na academia.


Descobriu o encanto pela dança na escola técnica onde estudou o colegial. Queria ser jornalista (era o grande sonho): iniciou a faculdade mas não terminou. Nessa época, vivia muitas dificuldades financeiras, precisava trabalhar e pagar as contas, levava uma vida muito puxada.


Decidiu sair da faculdade e trabalhar com a dança. Dava aula, mas não tinha assumido ainda a atividade como uma profissão. Anos depois conheceu a grande amiga e sócia que também dançava, Viviane Soares, Vivi: ela o convidou para dar aula na academia onde dançava. Kadu aceitou o convite e trabalhou nessa escola por 13 anos.

Kadu e Vivi


Vivi, 33 anos, casada, mãe do Miguel de apenas 2 meses, nasceu em Queimados, na região metropolitana do Rio. Filha de pais separados desde os 2 aninhos. Descobriu a dança aos 13 anos, na escola Carlinhos de Jesus.


Kadu e Vivi se conheceram em 2001, desde então se tornaram grandes amigos e parceiros na dança. Nunca imaginaram que a dança os levaria tão longe. Encontraram várias adversidades pelo caminho, e muitas vezes pensaram em desistir e seguir outro rumo profissional.


Trabalhar com arte no Brasil não é tão simples quanto parece: além das dificuldades financeiras, existem preconceitos. "Eu, um cara negro, pobre, da periferia, querer trabalhar com dança, encontrei muita resistência da sociedade”, afirma Kadu.


Nessa época Vivi trabalhava no Centro Cultural Carioca (CCC) como dançarina. Tinha trancado a faculdade de Educação Física, posteriormente deixou de fazer o cursinho preparatório para concurso público. Queria tentar algo fora da dança, precisava SUPERAR as dificuldades financeiras. E continuava dando aula com Kadu, na companhia.


Certo dia, depois de quase abandonarem a dança, uma aluna japonesa que estava no Brasil e era integrante de uma escola de samba de Tóquio, viera cá buscar o samba: conhecer as escolas, fantasias, as penas, tudo. O tio dela era fundador de uma das escolas de samba do Japão. Uma mulher apaixonada pela cultura brasileira. Principalmente pelo samba de gafieira. Hoje casada com um brasileiro.

Kadu e Vivi no desfile da Mangueira, 2013


Em 2011, ela convidou Kadu para se apresentar em Tóquio: foi a primeira viagem internacional dele.


Onde teve um grande impacto em sua vida, após dançar no Japão, foi bem recebido como pessoa e como artista: isso abriu-lhe os olhos, porque ele achava que a dança não era uma carreira viável. Imaginava que dançarino não era respeitado internacionalmente. Daí tomou algumas decisões para que sua carreira fluísse. Entrou na faculdade de dança (mas não a terminou).


Kadu, encantado com os sinais do SUCESSO, sonhava com uma carreira internacional, o que Vivi achava algo fora de cogitação. Ele voltou mais uma vez ao Japão, dessa vez com a parceira, e fizeram uma belíssima apresentação: dançaram a música “Deixa, Menina”, com uma coreografia inédita. Dentre os ritmos que dançam, estão: bolero, salsa, soltinho, chá-chá-chá, dança de salão, mas a especialidade dos dois é Samba de Gafieira e Zouk.

Kadu e Vivi em Lyon, na França

Ao chegarem ao Brasil, surgiu uma competição chamada "Samba Rio Show", produzida pelo professor de Dança de Salão Alex de Carvalho. Kadu e Vivi participaram do evento, que tinha como jurados Carlinhos de Jesus, Jaime Aroxa entre outros.


A dupla ganhou a competição, e o prêmio era se apresentar em vários congressos de dança pelo país. Mas as despesas com as viagens eram por conta própria. Mesmo com pouco dinheiro, não deixaram de comparecer a nenhum evento, abraçaram todas as oportunidades com determinação e profissionalismo.


Dançaram em Santa Catarina, São Paulo, Porto Alegre, Brasília e Curitiba. No ano seguinte, foram convidados para os mesmo eventos. O casal de dançarinos estava conquistando seu espaço: após os congressos, não pararam mais de viajar pelo Brasil, além de fazer turnê com Arlindo Cruz.


Depois de muita dedicação e esforço, Kadu e Vivi começaram a tão sonhada carreira internacional, em 2013: além da cidade de Tóquio, dançaram também na Europa.


Tempo depois do "Samba Rio Show", eles participaram do evento Samba Maníacos, também no Rio. Quando terminou o espetáculo, um francês de uma Associação de dança em Paris queria conversar com Kadu.


Os dois conversaram sobre dança fora do Brasil. No meio da conversa o francês perguntou: "Kadu, você quer dar aula em Paris?” Kadu respondeu, sim!, imediatamente! No mesmo ano, ele e Vivi iniciaram a primeira turnê internacional. Dançaram em Tóquio, Paris e Barcelona. E nos anos seguintes, Genebra, Lyon, Praga, Lisboa, Seul, Buenos Aires. De lá pra cá não pararam de dançar no exterior.


Em 2015, Kadu foi o primeiro técnico campeão da maior competição de samba de gafieira do mundo, o Gafieira Brasil. No ano seguinte fundaram a própria companhia de dança: KVS Danças, passaram um ano ensaiando e montando coreografias e estrearam em 2017. Ainda no ano passado abriram a escola de dança, KVS Danças, aberta desde o dia 08 de janeiro deste ano.

Aula na KVS Danças com Kadu e Vivi


Os dois dançarinos, conquistaram muitas coisas juntos. Hoje têm uma vida financeiramente tranquila e reconhecimento nacional e internacional pelo talento e DETERMINAÇÃO que possuem. São professores de dança e empresários, têm gratidão pelo SUCESSO que demorou chegar, mas que veio no momento certo, como tudo na vida.


Não imaginavam que a dança os levaria a tantos lugares ao redor do mundo. Para Vivi, mesmo com muita luta, é uma surpresa, até porque na infância ela queria ser professora de escola. Imaginava ser integrante de uma Companhia de dança, nunca se imaginou sendo professora de dança, pois era tímida. Ela pretende terminar a faculdade de Educação Física e ter alguns projetos sociais voltados para dança.


Kadu sonha em abrir mais uma escola de dança, e ser coreógrafo de uma comissão de frente no grupo especial do carnaval do Rio.

Os dois seguem se apresentando nos palcos da vida, não importa o ritmo, porque eles sabem fazer bonito, com a dança sabem lidar, para o Mundo encantar.










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