• Leandro Neves

Um Rio que floresce: união e solidariedade transformam depósito de lixo em jardim

Moradores somam forças para acabar com lixo e mato e iniciativa ganha apoio de um time de voluntários de outras partes da cidade


Uma grande lixeira a céu aberto e um matagal foram transformados em jardim por iniciativa de moradores de uma rua no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Mas não parou por aí. Agora, com ajuda de vários parceiros voluntários de outros lugares que se interessaram pela ação, o jardim ganhou um projeto arquitetônico sustentável.


Os espaços que estão passando por uma grande mudança ficam no início da Rua Senador Mário Ramos, que dá acesso à entrada da Comunidade do Morro do Cruz (veja mapa). Há trinta anos, quando Francisco Ribeiro (comerciante e pastor evangélico) foi morar na via, o lixão não existia, mas o matagal já o incomodava.

Mapa de localização da Rua Senador Mário Ramos na cidade do Rio de Janeiro

Anos depois, Francisco fez sua primeira tentativa de mudar o aspecto da região: comprou algumas plantas e as colocou no canteiro onde o mato predominava. Mas a ausência de corte frequente deste pela Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio) e a falta de educação de parte da população, que jogava toda sorte de recipientes e pacotes de produtos por lá, estragou a iniciativa do comerciante.

A vontade de mudar aquela situação nunca deixou de incomodar o morador. Há alguns anos, além do matagal sujo, um depósito de lixo começou a se formar na entrada da rua. Havia dias que a quantidade de sacolas de lixo era tão grande que os pedestres tinham que desviar seu caminho para poder subir a escadaria.

Essa situação foi o estopim para que Francisco e outro morador, Paulo Eduardo (Paulinho), juntassem forças para transformar de vez o local. Primeiramente tentaram junto à Comlurb que impedisse o depósito de lixo, mas a companhia se negava a contribuir. Depois de uma conversa com o gerente do órgão na região, conseguiram enfim o apoio do poder público.

Francisco Ribeiro fala sobre o histórico do local e as iniciativas

O depósito então foi desfeito. Vasos de plantas e uma placa de “proibido jogar lixo” foram colocadas no lugar. Mesmo assim, os moradores da região não pararam de uma hora para outra de depositar sua sujeira no espaço. Durante algumas semanas o hábito persistiu. Somente com a perseverança e o alerta constante de Paulinho e Francisco que, enfim, a prática cessou.

Com o sucesso da iniciativa, os moradores se animaram e então partiram para o matagal. Com o apoio de mais um vizinho, Evandro Moraes, capinaram o espaço e, com dinheiro do próprio bolso, ampliaram o jardim.


Parceiros de fora abraçaram a iniciativa


Em mais um dia de trabalho na lanchonete onde é gerente e sócio, enquanto atendia um cliente antigo do estabelecimento, Francisco não imaginava que o jardim ganharia um projeto arquitetônico gratuito e se tornaria ainda mais bonito. A conversa com Rafael Vasconcelos, arquiteto e urbanista, deu novos ares à rua da Tijuca.

Rafael Vasconcelos relata o porquê de ter aderido à iniciativa

O projeto reformulou o canteiro de plantas e considerou a inclinação do terreno. Para evitar a erosão, o jardim contará com terraços com estacas de contenção (feitas com tijolos, conforme vídeo abaixo), construído na horizontal e será todo coberto com grama. Haverá ainda um sistema de aproveitamento da água das chuvas para irrigação das plantas.

Vídeo do projeto arquitetônico


Com a ajuda de vários parceiros de outros pontos da cidade contatados por Rafael, como donos de colégios e um proprietário de horto, o projeto elaborado por ele pôde ganhar vida. Foram doados materiais de construção, plantas e cedido um carro para ajudar no transporte. O time também ganhou reforço de três colegas de trabalho de Francisco, que vivem em outras regiões do Rio: Henrique Ferreira, Edmilson Feliciano e João Horácio, que estão contribuindo nas obras de reconstrução do jardim.

Rafael Vasconcelos fala sobre os patrocinadores do projeto

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