• Jill Muricy

É Possível RECOMEÇAR

Há pessoas que possuem FÉ INABALÁVEL, mesmo que o Mundo caia despedaçado aos seus pés, elas continuam FIRMES mesmo sem nada ENTENDER.

Dalva- uma mulher que INSPIRA / Foto: arquivo pessoal


Ainda que sejam visitadas diversas vezes pela dor inconsolável, com tudo destruído ao lado delas, essas pessoas têm CONFIANÇA em Deus. E, conseguem se REERGUER do caos, escrevem novos capítulos de FELICIDADE na própria JORNADA, que outrora foi indescritivelmente sofrida.


Tudo na VIDA tem um fim, e por maior que seja o sofrimento, um dia ele passa, mas o aprendizado fica, para nos ENSINAR a VIVER melhor.


Para todos os DIAS cinzentos NASCE um SOL com maior BRILHO que para os DIAS normais. A ALEGRIA também visita os CORAÇÕES feridos e machucados. Ninguém está isento de sofrer, e ninguém está isento de ser FELIZ.


O INÍCIO


Na cidade de Caém, norte da Bahia, nasceu Maria Dalva dos Santos, católica FERVOROSA, uma mulher SIMPLES que seria visitada muitas vezes por perdas irreparáveis.


Na infância, Dalva morava em um lugar na mesma região do seu nascimento chamado Gonçalo, trabalhava na roça cortando sisal com a mãe e os irmãos, o pai havia morreu cedo, aos 42 anos, de infarto. Estudou até a quarta série do Ensino Fundamental.


A VIDA nessa época já demonstrava que não seria fácil, Dalva estava com 14 anos, quando o pai dela partiu, a mãe com muita dificuldade de criar os quatro filho na roça, resolveu ir embora para o garimpo que havia acabado de ser descoberto na Serra da Carnaíba, no município de Pindobaçu, não muito distante de onde moravam.


Ao chegarem ao garimpo, moravam com muita dificuldade, em uma casa excessivamente HUMILDE. Para a chefe da família não era fácil sustentar as despesas da casa sozinha. Dalva tinha um irmão que bebia muito, diversas vezes a mãe dela ia buscá-lo no bar, a jovem senhora ficara bastante preocupada com a situação do filho, até que ela descobriu que estava com câncer no intestino. Sem poder fazer tratamento pela realidade da época, a guerreira senhora após um breve TEMPO de sofrimento morreu.


A VIDA


Dalva, casou-se com 21 anos, com um homem trabalhador, teve cinco filhos, todos homens. Um tempo depois a família foi embora para o Goiás, pois um garimpo havia surgido por lá, moraram no estado goiano vários anos. Certa vez, a atividade garimpal estava muito fraca, com isso o marido de Dalva voltou para o outro garimpo na Serra da Carnaíba, ela e as crianças ficaram no Goiás, até as coisas melhorarem e a família voltar a ficar junto.


As coisas estavam tranquilas, o marido de Dalva estava trabalhando na Serra da Carnaíba e pediu que ela e as crianças fossem passar a Semana Santa com ele. A trajetória da família Santos seria marcada por grande tragédia, pois o dia 30 de março de 1994, ficaria lembrado por uma dolorosa perda.


Dalva e as crianças se prepararam para a viagem, como eram cinco adolescentes, dois ficariam em casa, e três viajariam com ela, eles tinham, 13, 15 e 18 anos. O garoto de 15 anos era gêmeo com o irmão que ficou em casa. O ônibus era clandestino, lotado de garimpeiros que iam embora ou visitar os parentes na Bahia. Dizem até que o transporte excedeu o número de passageiros.


Os filhos de Dalva vinham sentado no fundo do ônibus, separados da mãe que vinha dormindo um pouco mais à frente. Já no estado baiano, em uma cidade chamada Várzea Nova, a 390 KM de Salvador, Dalva acordou atordoada em meio a gritos de desespero e um forte cheiro de fumaça, com o fogo queimando o ônibus.


Pessoas se batiam gritando, um forte calor... Dalva já intoxicada com dificuldade para respirar, saiu do transporte atordoada, achando que os garotos já tivessem saído antes dela. Do lado de fora tudo estava turvo, com isso chegou alguém perto de Dalva e ela perguntou pelos filhos, pois algumas pessoas conseguiram escapar do incêndio, a pessoa disse que não viu nenhum dos filhos de Dalva sair do ônibus.


Desesperada ela tentou adentrar o veículo em chamas, subiu dois degraus da escada da porta do ônibus, mesmo com o fogo gigantesco, a mãe aflita queria salvar os filhos de qualquer forma, mas alguém a puxou pelas costas e disse: "vamos tentar salvar pelo menos ela..." querendo dizer que os garotos haviam morrido queimados.


Esse trágico acidente teve repercussão nacional, morreram mais de 30 pessoas, a maioria era criança. Muitos dos sobreviventes foram levados para hospitais da região com queimaduras pelo corpo. Outros fora de si por terem perdidos filhos, ou outro familiar.


Dalva desmaiou e não viu mais nada... gritava o tempo todo. Alguém a levou de carro para o hospital na cidade de Jacobina onde ela ficou internada por três dias. O marido dela soube do ocorrido e foi buscá-la, ambos voltaram para casa em Serra da Carnaíba, mas o vazio dominava o casal.


Os pais não viram os corpos dos adolescentes, não houve velório e nem sepultamento, jogaram todos os cadáveres em uma única vala perto do local do acidente.


Dalva ficou com síndrome do pânico, quebrava tudo dentro de casa, tinha medo de tudo e de todos, cobria o rosto com um lençol para não vê ninguém, perdeu por algum tempo o SENTINDO da VIDA. Tomava fortes calmantes, passou cinco anos, tomando remédio tarja preta, havia perdido tudo no ônibus, os filhos, bens materiais, mas a FÉ era INABALÁVEL, não parava de rezar o terço. Isso a manteve de pé.


Dias após o acidente, os dois filhos de Dalva que ficaram no Goiás, chegaram à Bahia. O TEMPO passou... 11 anos depois do acidente, o filho mais velho dela bebia e apresentou um problema de saúde: começou a vomitar sangue. Foi diagnosticado com hepatite, mas não quis fazer o tratamento. Com isso começou a inchar o corpo e a ficar debilitado.


Durante o mesmo período o marido de Dalva também adoeceu, sentiu fortes dores nas costas ao carregar um saco de arroz e levar um escorregão. Após esse episódio, a dor nas costas dele não passava com remédio nenhum. Mesmo estando no médico toda semana, nenhum descobria a causa daquela dor. Um ano após vários exames, consultas e internações a verdade veio à tona: ele estava com mieloma múltiplo um câncer agressivo nos ossos.


Até os ossos da cabeças já estavam fraturados pela gravidade da doença. Mesmo em estágio avançado, o tratamento foi iniciado no hospital do câncer em Salvador. Dias depois o médico deu alta, ele e Dalva voltaram para casa, ficaram de retornar 30 dias depois para revisão, e no mês que retornaria ao hospital ele faleceu. Ainda vivo teve todos os ossos quebrados pelo câncer em um sofrimento indescritível.


Mais uma vez a senhora Dalva era visitada por outra enorme perda. Partiu o homem que a ajudou a construir uma história. A mesma dor que fere é a dor que cura.


O filho dela que estava doente ainda não tinha se recuperado, dias antes do pai dele falecer ele se sentiu um pouco melhor, o corpo havia desinchado, daí ele começou a beber e a trabalhar. Mas o quadro de saúde se complicou e ele voltou a vomitar sangue.


Com 28 dias, que o marido faleceu, o filho de Dalva deu uma forte crise e desmaiou. Era madrugada, ela deu banho no filho, e o levou para o hospital na cidade onde ficou 24 horas internado, no dia seguinte foi transferido para um hospital em outa cidade, que foi transferido para Juazeiro na divisa da Bahia com Pernambuco.


Mas antes de chegar ao hospital, ele morreu, 29 dias após a morte do marido. A devastada mãe quase enlouqueceu com a partida de mais um filho, que morreu na frente dela dentro da ambulância.


A SUPERAÇÃO


Dalva estava morando sozinha em casa, lembrava constantemente dos dois velórios em menos de 30 dias de um para o outro. A solidão era sua companheira. E a depressão chegou com FORÇA. Voltou a tomar remédio tarja preta mais uma vez, mesmo assim não dormia nem durante o dia muito menos durante a noite. Não comia. A rotina se tornou para ela um verdadeiro martírio.


O vazio dominava tudo, 20 dias após a morte do filho, ia ser realizado um seminário da igreja na Serra da Carnaíba, cidade onde Dalva morava, daí foi sugerido pelos irmãos da igreja um almoço na casa dela para que ela pudesse se animar com a presença dos irmãos.


Após o almoço fizeram uma oração para ela com a qual fez Dalva se sentir melhor. Quando ela chegou em casa comeu um pouco, coisa que há um bom tempo não acontecia. Não tomou remédio, mas conseguiu dormir. Ela assegura que foi tocada pela MISERICÓRDIA de Deus.


O SOL aos poucos começara a RAIAR, toda dor acompanhada de sofrimento, daria lugar a uma IMENSA TRANQUILIDADE. A VIDA ia GANHAR NOVOS RUMOS.

Dalva Santos, exemplo de SUPERAÇÃO/Foto: arquivo pessoal

Um ano depois de ficar viúva, Dalva se casou com um velho amigo, esse amor deu cor a tudo que estava escuro ao seu redor. RESSUSCITOU a ALEGRIA naquele sofrido coração. Não há causa que o AMOR não GANHE!


Hoje, Dalva está com 68 anos, casada, ainda tem um filho, dois netos e um bisneto. Mora em Serra da Carnaíba, VIVE FELIZ... há três meses morreu uma irmã dela, mas sua cabeça não se curva às adversidades, quem tem Deus como seu alicerce não tem porque cair.


Passamos a VIDA inteira para ENTENDER que o SUCESSO de todo ser humano consiste em CONFIAR em DEUS, pois somente Ele pode TRANSFORMAR todo caos em DIAS RADIOSOS de FELICIDADE.
































































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