• Jill Muricy

Viver em Deus é Lindo, mas Viver em Deus e com Deus é Sublime

A vida é um mistério inenarrável, viver ultrapassa o entendimento da lógica humana. Toda pessoa vem a este mundo cumprir um designío do autor do tempo, ainda que tudo seja incompreensível diante da razão.

Rozimeire Almeida, exemplo de SUPERAÇÃO/Foto: arquivo pessoal


São nos momentos mais dolorosos da nossa vida, que escrevemos os capítulos mais extraordinários da nossa existência!

O Início


Em uma tranquila cidade do norte baiano, Senhor do Bonfim, nasceu uma grande mulher: Rozimeire Almeida da Silva, missionária católica, formada em teologia, um ser humano incrível que, assim que chegou ao mundo demonstrava que as coisas não seriam fáceis, mas seriam superadas com muito sucesso!


Logo nos primeiros momentos de vida, a bebê não conseguia mamar, nem aceitava chupeta, e muito menos mamadeira. Preocupada, a mãe da criança dava mingau à pequena com a ponta do dedo, por causa disso a menina não passou fome.


O tempo seguia o percurso de sempre, Rozimeire ia se desenvolvendo naturalmente, uma menina silenciosa com a infância atípica, ela não brincava como uma criança normal. Sempre muito frágil pelas circunstâncias.


Certa vez, aos cinco anos, a menina andava pela roça da avó paterna descalça, pisou em uma casca de melancia podre, contraiu bactéria, e um fungo se alastrou violentamente pelo pé direito, criando uma bota de feridas. Com isso a criança ficou impossibilitada de andar, era carregada constantemente pela própria mãe.


Mas essa enfermidade não seria nada diante de algumas surpresas desagradáveis que o futuro lhe traria.

As feridas da época não queriam cicatrizar, após consultar vários médicos e fazer uso de muitos remédios, parecia que o problema ficava cada vez maior.


Até que um conhecido da família sugeriu que lavasse o pé da garota com suco de limão, ao passar pela experiência a criança quase desmaiou de dor, mas foi o que a curou de vez.


Embora, muito quieta, Rozimeire gostava de exercer a criatividade fazendo sofazinhos e mesinhas de caixas de fósforo, época em que vivia mais tempo no hospital do que em casa. Ela alimentava o sonho de ter uma bicicleta, mas o próprio pai tinha uma certa aversão em relação ao veículo.


E mesmo diante dos desafios, a adolescência da teóloga foi melhor que a infância, pois as enfermidades haviam sessado por um breve momento. E, com o passar do tempo os dias lhe trariam um desafio incompreensível diante da lógica humana, mas não é recuando que se vence batalha.


Aos nove anos, Rozimeire começou a sentir fortes dores no joelho direito. A dor era misteriosa, inexplicável, sem causa aparente. Fisicamente, na estatura da perna estava tudo normal, inclusive os resultados dos exames.


Ao passar por um novo médico, e ele apertar o joelho para examiná-lo, a menina gritou desesperadamente, pois, doía absurdamente. O clínico achou que era fingimento da criança, porque não encontrou nada anormal em toda perna. Em casa ela apanhava pelo fato de os pais acharem que mentia em relação à dor.


Os dias passavam, mas as dores permaneciam, a cada dia a situação se complicava, e a garota sofria com uma dor incurável.

Ao passar pelo primeiro ortopedista, Rozimeire começou a tomar medicações fortíssimas, incluindo injeções no próprio joelho, que a deixavam fragilizada, desmaiada.


Este mesmo profissional de saúde sugeriu que abrisse o joelho da garota para ver o que realmente estava acontecendo, por causa disso, foi marcada a primeira cirurgia, de uma grande temporada!


A Primeira Cirurgia de uma Série de nove Capítulos


Na hora do procedimento, Rozimeire recebeu a anestesia rack (a que o paciente fica acordado durante a operação). Ela viu a cara de espanto do médico ao abrir o joelho, e disse: "Meu Deus! Como esta criança suportava?" Havia muita secreção purulenta naquela articulação, por pouco não apodreceu totalmente a perna.


Daí os pais da criança caíram no remorso, passaram a acreditar que ela realmente dizia a verdade. A cirurgia não resolveu o problema, apenas amenizou a dor por alguns meses. Depois disso, o sofrimento voltou ainda mais forte e o joelho cresceu.


Mesmo fazendo fisioterapia, as estruturas não diminuíam o tamanho, e durante os exercícios Rozimeire gritava bastante, era uma tortura para ela aquela atividade. Então o fisioterapeuta sugeriu que levasse a adolescente em outro médico, para diagnosticar o motivo daquela descontrolada dor.


A baiana foi levada para um hospital infantil especializado em câncer, na capital do estado, ao passar por exames, foi encontrado um caroço embaixo da rótula, mas não era maligno. Mesmo assim foi submetida à outra cirurgia para a retirada do abscesso.


Após o procedimento, a menina ficou com a perna toda engessada, dessa vez ela perdeu completamente o movimento da perna direita, ficou deficiente. Foi vítima de um brutal erro médico.

O céu havia mencionado sinais de que ficaria escuro por um por tempo, mas acima dele o sol continuava brilhando!

A terceira cirurgia aconteceu para fazer uma limpeza no joelho, mas foi preciso retirar a patela porque ela estava totalmente danificada, mesmo com medicações e fisioterapias a moça não recuperou os movimentos da perna.


Entre idas e vindas em consultórios de vários médicos, Rozimeire seguiu a indicação de uma senhora para ir ao ortopedista Luiz Carlos Menezes (doutor Lapão), referência em ortopedia e traumatologia, na capital do estado, com esse profissional ela fez a quarta cirurgia, as dores deram uma trégua, a vida da moça começou a ficar um pouquinho normal.

As estações seguiam o seu percurso, coisas velhas se despediam para novas chegarem, as nuvens saiam de cena para o sol brilhar com intensidade, dias cinzentos iam desaparecendo. Tudo na vida é um ensinamento, por trás de todo acontecimento existe um designío. Nada foge do controle Daquele que tudo pode.

Dois anos após a quarta operação, Rozimeire estava mais tranquila em relação a médicos e hospitais. Já casada, mãe de duas meninas, se dedicava a família como de costume.


Há um bom tempo ela vinha sentido algumas dores no joelho, mas não falava a ninguém. Ao retornar ao doutor Lapão, precisou fazer mais uma cirurgia, dessa vez, com urgência.


Pois o joelho estava danificado, porém, o "procedimento cirúrgico" custaria 56 mil reais. A jovem mãe não possuía esse dinheiro, mas o médico a presenteou por ela ser uma paciente rara e de muitos anos.


As coisas iam apertando, diferente das outras vezes, ela passou um período de 90 dias no hospital, a cirurgia foi muito delicada, e na hora da anestesia Rozimeire teve uma parada respiratória, minutos depois o quadro foi estabilizado.


O médico ia colocar um joelho mecânico na paciente, quando o cirurgião ia cerrar o osso da perna para colocar a prótese, ele sentiu uma sensação estranha e decidiu não tirar o joelho da moça, fez um alongamento de tendões para tentar dobrar a perna, mas esse resultado durou dois meses.


Após 15 dias desse episódio, o joelho começou a necrosar, onde teve o primeiro desbridamento. Ela foi submetida a mais uma cirurgia que retirou todo o joelho, dava para ver a ligação do fêmur com a tíbia. Daí apareceu uma necrose rapidamente, da noite para o dia, por causa disso, Rozimeire precisou fazer outra operação.

Por que a dor física é tão massacrante? Há uma explicação para tanto sofrimento?

Durante essa trajetória no hospital, o tempo parecia estar congelado, os dias eram marcados por dores e medicações fortes, a saudade da família e de casa se intensificava cada vez mais, umas gotas de revoltas contra Deus também estiveram presentes.


O Milagre da Comunhão


Uma irmã religiosa levava todo sábado a Santa Comunhão à Rozimeire no hospital, e nesse em especial, a religiosa disse que havia acontecido um milagre em outro pavilhão, dando sequência ao ato para receber Cristo Eucarístico, as duas mulheres rezaram, e a irmã colocou a âmbula em cima do joelho doente da missionária, aquele frágil membro do corpo tornou-se altar.


Na segunda-feira seguinte, a forte guerreira ia fazer mais uma cirurgia. Na hora da anestesia as veias da paciente sumiram, à anestesista ficou nervosa e disse: "me disseram que você é missionária, feche os olhos e traga a sua mente o que é mais importante na sua vida".

Rozimeire fechou os olhos e pensou no Cristo Eucarístico, segundos depois, abriu os olhos e a médica estava alisando o rosto dela, daí perguntou: "doutora, a senhora conseguiu pegar minha veia?”. A médica respondeu: "você já foi operada!"


A paciente ficou impressionada, pela primeira vez no "pós cirúrgico" ela não foi para Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e sim para o quarto.

Quando a dor fica mais forte é porque ela está chegando ao fim!

Um cirurgião residente havia realizado a cirurgia nesse dia, e não o doutor Lapão. Ao visitar a recém operada no quarto ele iniciou a conversa com uma pergunta: "Você acredita em Deus?” Ela respondeu que sim, o doutor também afirmou sua crença e passou a relatar o que havia acontecido durante a cirurgia:


"Após a sua anestesia, eu ia tirar todo o seu joelho para retirar a necrose profunda, mas o bisturi escapuliu da minha mão e puxou toda a pele que envolvia o local, com isso era possível ver que não existia necrose nenhuma no seu joelho. Tenho certeza que houve um milagre”.


No sábado seguinte, Rozimeire aguardava ansiosamente a irmã religiosa para receber à comunhão como de praxe, e queria saber sobre o milagre que a religiosa havia mencionado dias atrás.

A senhora chegou, e ao ser questionada sobre o fato disse: "o milagre não foi naquele pavilhão que falei, o milagre foi neste pavilhão, foi o seu milagre. Deus me disse que este milagre ia acontecer...!”


Desse dia em diante, as coisas começaram a se ajustar, Rozimeire fez mais uma cirurgia, uma plástica, que teve duração de 12h30, precisou retirar pele do braço direito para colocar no joelho, foi a quinta cirurgia da temporada de 90 dias.

Joelho direito de Rozimeire que a transformou em exemplo de SUPERAÇÃO/Foto: arquivo pessoal


O Grande Dia


O dia que Rozimeire recebeu alta hospitalar teve festa de toda a equipe médica e dos funcionários do hospital, com júbilos e aplausos era saudada ao passar pelos corredores daquela unidade de saúde em que tanto sofreu.

O sofrimento e a felicidade andam lado a lado. Deus havia falado com ela através de uma passagem bíblica, do livro de Isaías, que ela sairia de lá com gritos de alegria...!

O problema no joelho de Rozimeire não tem patologia, nem cura total. Ainda hoje ele é um mistério para a ciência em todo o planeta. Ela anda mancando, nunca reclamando!

Ainda não consegue dobrar a perna, nem aguenta ficar muito tempo em pé. Tem atrofia, deformação, dor, inchaço e febre no joelho direito que já foi realizado nove cirurgias. Todas estas enfermidades não aparecem no raio-x.


A vida nos Dias Atuais


Aos 49 anos, Rozimeire é uma mulher tranquila e delicada, mesmo tendo passado boa parte da vida enfrentando dificuldades, é dona de um sorriso incomum, e não há quem diga que ela possui dores crônicas.


Tem enorme gratidão por uma grande fisioterapeuta, doutora Aline Socorro Tavares, ambas se conheceram durante a faculdade. Depois do longo período no hospital, Rozimeire fazia fisioterapia com a colega e não sentia dor, a profissional era tão dedicada que ia até a casa da paciente realizar os exercícios e não cobrava pelo serviço.


A vitoriosa construiu uma linda família, casou-se aos 18 anos, com o engenheiro civil Wanderley Araújo, o casal tem duas filhas casadas e um neto. A missionária católica concluiu a faculdade de teologia, quando suas meninas eram adolescentes. Nada na vida dela parou por causa do sofrimento!

Rozimeire e Wanderley usando a camiseta Meu Nome é Superação/Foto: arquivo pessoal



Rozimeire e Wanderley dedicam suas vidas falando do Evangelho para casais da cidade onde moram, o casal passou 20 anos para construir a própria casa. Ela é membro da comunidade católica Shalom.


Nem tudo que vivemos tem explicação, mas tudo tem um propósito, e não importam as circunstâncias, nada impede um escolhido de chegar ao pódio! É a sua dor que te transforma em exemplo de SUPERAÇÃO!




Destaque
Tags