• Jill Muricy

O Homem e a Natureza


Grupo de Trilheiros do Rio de Janeiro (Luís Cláudio Moares, de 52 anos, líder de um dos maiores grupos do país

A natureza é perfeita. Sua delicadeza é inexplicável aos nossos olhos. Ao contemplarmos a autêntica beleza natural, nossa vida cotidiana tem mais sabor.

A calmaria da floresta tranquiliza nossos dias. O canto dos pássaros, melodia perfeita aos nossos ouvidos, nos faz pensar na vida com suavidade. A luz incomparável do Sol ilumina nossos passos e os deixa firmes em nossos objetivos.

O vento com sua brisa impetuosa bagunça para arrumar o que está fora do lugar.

O brilho inconfundível das estrelas é para nos lembrar que sempre vale a pena lutar.

A naturalidade das cachoeiras, com a transparência das águas e a liberdade dos animais nos fazem acreditar na existência do ser superior que se revela nas coisas simples.

A natureza é tão encantadora que até o barulho dos grilos é um convite à meditação.


Uma combinação perfeita: uma natureza exuberante e uma cidade maravilhosa são uma inspiração para quem faz TRILHAS.

Apesar de todos os desafios de uma vida marcada por inúmeras tormentas no Rio de Janeiro, é possível encontrar o próprio refúgio e levar pessoas a saírem de si e da rotina massacrante a se refugiaram nas trilhas carioca, gratuitamente.

Trilheiros, antes de mais uma Aventura

Luís com seu grupo na Pedra Bonita, no Parque Nacional da Tijuca (RJ)

Luís Cláudio Moares, de 52 anos, é um Trilheiro admirado nas diferentes trilhas cariocas. Em sua vida sempre teve aventura, mas, sem empolgação e muito menos adrenalina.


Carioca da gema, Luis Cláudio é um aventureiro apaixonado por fazer as pessoas conhecerem as belezas de sua terra. Sempre foi encantado pela natureza. De família tradicional e de classe média, na infância e na adolescência morou em bairros da zona sul do Rio, como o Catete.

Aos 15 anos, com a morte da mãe, Luís Cláudio teve síndrome do pânico, não saía de casa, ficava isolado no quarto cheio de baratas, com a barba enorme. Não tinha ânimo para viver e nem amigos. Tentou suicídio 4 vezes. O pai achou que ele tinha ficado doido. Nunca usou drogas nem teve más companhias. Também não usava o dinheiro da pensão deixada por sua mãe. Com 19 anos, o pai morreu. Luís Cláudio, mais uma vez, foi tomado por um luto profundo. O pai, que trabalhava com Relações Internacionais e era militar, lhe deixou uma boa herança, mas Luís Cláudio não soube administrar. Perdeu tudo e foi morar de favor com a avó e a tia.

Começou a trabalhar como auxiliar de escritório. Nessa época, a síndrome do pânico não estava tão intensa. Um dia, voltando para casa, o ônibus em que Luís Cláudio estava foi assaltado. Os bandidos tentaram atirar nele, mas a arma falhou.

Passados alguns anos, a avó de Luís Cláudio morreu. E, posteriormente, a tia. Como o apartamento pertencia a uma prima, ele foi convidado a se retirar. E não tinha onde morar. Daí ele começou a se virar. Trabalhou como garçom e recepcionista de hotel. Conseguiu alugar um cantinho em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Certo dia, Luís Cláudio foi visitar uma amiga que morava em uma comunidade. Ele foi confundido com um policial e ameaçado com arma no peito. Mas não foi machucado. Depois disso, ficou duas semanas no hospital com o corpo paralisado e dores nas costas. Ninguém foi visita-lo! Mas, para sua surpresa, não era nada além do que estresse. Para driblar a solidão, Luis Cláudio formou um grupo de vôlei no Aterro do Flamengo, com cerca de 200 pessoas, mas, um tempo depois, acabou. Depois teve um grupo de bike , aos domingos, com alguns amigos. Essas atividades foram fundamentais para sua autoestima.

Luís Cláudio também criou um grupo de trilha. Ele se sente bem em meio a natureza. Esse grupo, por três vezes, quase acabou. Mesmo em meio às dificuldades, ele e os amigos faziam de tudo para o grupo continuar. Vontade de desistir não faltou.

Luís Cláudio teve uma recaída de síndrome do pânico e um problema de garganta que resultou em mais uma cirurgia durante a vida. Ele acredita ter visto seu anjo da Guarda durante o procedimento que foi bem sucedido. Logo após esse evento, Luis Cláudio quebrou o dedão do pé, que levou oito pontos.

Durante toda sua vida, Luís Cláudio nunca fez terapia. Sempre buscou forças dentro de si para continuar o seu caminho.

Luís subindo o topo do Pico da Tijuca, um dos pontos mais altos da capital fluminense

Como o grupo de trilha não estava animado, ele resolveu criar o grupo chamado "Passeios Gratuitos", no Facebook. Começou com pouquíssimas pessoas. Com o passar do tempo, foi crescendo exponencialmente.

Segundo Luís Cláudio, a trilha une as pessoas. A sua maior vitória é dar o próprio tempo para levar as pessoas a conhecerem os lugares belíssimos do Rio de Janeiro gratuitamente.

Hoje, Luís Cláudio tem uma vida sossegada, trabalha com telemensagens e tem uma família. Fica feliz pela superação de vida das pessoas do seu grupo. Uma senhora foi curada do câncer e, em comemoração a vitória alcançada, subiu a trilha do Cristo Rendentor com mais entusiasmo que um jovem. Várias pessoas venceram depressão depois que começaram a fazer trilhas. Luís Cláudio ama seu grupo como uma extensão da própria da família. Hoje o grupo tem pessoas de várias idades que e já ultrapassou mais de 30.000 seguidores firmes e fortes.

É possível transformar todo fracasso de uma vida conturbada em fonte inesgotável de alegria, ajudando as pessoas ao seu redor. Esta é a missão de Luís Cláudio, que doa seu tempo para ver as pessoas se superando.

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