• Jill Muricy

A Menina de 11 Anos

Há um mistério por trás de todo acontecimento, mas no meu caso, mataram o meu designío violentamente!

Criança brincando de boneca/Foto: autor desconhecido


Meu nome é Estrela, pode me chamar assim! Sou uma garota de 11 anos, muito feliz! Tenho várias amiguinhas. Gosto de brincar no parquinho, de balanço, cantar no caraoquê e principalmente subir na árvore. Sei desenhar, fiz um desenho lindo da Frozen.

Quando eu fizer 15 anos, vou ganhar de presente dos meus pais, uma viagem à Disney. Para conhecer todas as princesas dos desenhos animados.

Adoro acampar com minha família, à beira do lago na floresta. Certa vez, nosso barco virou enquanto a gente pescava, o papai ficou desesperado para eu não me afogar. Mas o incidente nos fez cair na gargalhada dentro da água fria. Naquele mesmo dia à noite, ele acendeu um fogo enorme para assarmos os peixes que havíamos pescado.


O céu estava perfeito, repleto de estrelas, e eu como tal, sentia-me como parte do espaço. A lua encantava a todos com a luz indescritivelmente radiante, para marcar aquele sublime momento.


Sem contar que o canto dos grilos animava o nosso jantar! Como é bom ser criança! Eu amo viver! Eu sou feliz!

Na semana seguinte, ao retornar à escola, vi o Sol, um garoto dois anos mais velho que eu. Nesse dia, ele me beijou, no jardim do pátio, na hora do recreio. Foi o meu primeiro beijo. Ele disse que quer ser meu namorado. Estou na quinta série, e ele na sexta. Como o Sol é muito bonito, todas as meninas da escola dão mole para ele, que só tem olhos para mim.


Nós dois moramos no mesmo bairro, nossa escola fica ao lado da minha casa, vou embora sozinha todos os dias. Minha tia sempre me observa eu entrando em casa. Sol é gentil comigo, sinto frio na barriga quando o vejo. Um dia eu o convidei para entrar na minha casa, meus pais ainda não haviam chegado do trabalho.

Ele começou a me beijar e tivemos nossa primeira relação sexual. Eu não contei nada a ninguém. Meses depois, minhas roupas ficaram apertadas em mim, minha barriga começou a crescer. Minha mãe ficou preocupada, com medo que eu estivesse com alguma doença, e me levou ao médico.

E para o espanto de todos, eu estava esperando um bebê! Como assim? Sou apenas uma criança!

Como pode, eu vou ser mãe? Não sabia assimilar tudo que estava acontecendo. Meus pais não sabiam o que fazer. Um culpava o outro, por não saber me orientar em relação ao sexo. Os dias iam passando, e o bebê começou a mexer na minha barriga. Tomei um susto quando isso aconteceu pela primeira vez, quase não dormi com medo de acontecer durante o sono.

A mamãe levou-me ao médico mais uma vez, ele disse que eu estava esperando uma menina. Dei risada, fiquei super feliz! Como eu não ia mais à escola porque minha barriga estava grande, ficava só em casa brincando de boneca, eu imaginava minha filha brincando comigo.


Fiz vários desenhos para ela, tinha a maior vontade de carregá-la no meu colo. Meu mundinho cor de rosa, ficou mais rosinha ainda, quando soube que ia ter uma menina. Em mim, havia tantos sonhos para nós duas, mesmo eu sendo uma criança, me sentia linda com aquele barrigão! Uma menina carregando outra menina no ventre!

Certa vez, eu acordei com meus pais discutindo bem alto, levantei silenciosamente para ouvir a conversa, e eles queriam matar minha filhinha na minha barriga.

Comecei a chorar desesperadamente, porque eu já amava minha menina incondicionalmente, minha companheira de todas as horas, ia partilhar com ela minhas bonecas, brincadeiras e passeios. Meus pais, os únicos que deveriam me proteger, me deixaram covardemente desamparada. Pedi a mamãe chorando, para ela não deixar matar minha filha, mas ela não me atendeu.


Minha menininha mexia fortemente dentro de mim, como se estivesse me pedindo para eu não deixar matá-la. MAS EU NÃO TINHA VOZ, NINGUÉM OUVIU O MEU GRITO DE SOCORRO!

Meus pais me levaram ao hospital, eu achei que fosse para mais uma consulta, chegando lá, fui encaminhada ao centro cirúrgico, não vi mais nada. Ao acordar, eu estava sem meu barrigão. Perguntei a mamãe porque minha filha não mexia mais, ela respondeu que minha menininha havia morrido.


Nesse momento meu coração foi destruído, chorei, chorei, chorei, sem nada entender. Mamãe, por que você deixou isso acontecer? Perguntei soluçando de dor, mas, ela não tinha coragem de dizer nada, dava para perceber que estava amargamente arrependida, por permitir que assassinassem minha filha.


Horas depois, a enfermeira, disse que o ácido que colocaram dentro mim para matar minha criança foi tão forte que diluiu meu útero. E que eu estava com uma forte infecção que comprometeu a possibilidade de eu ser mãe no futuro.


Não sei o que fizeram com minha garotinha, nem onde a enterraram, fiquei sabendo que tiraram só os pedacinhos dela de dentro de mim. Para que tanta crueldade com um ser tão indefeso? Eu também sou mãe, queria minha filha viva, mas ninguém me ouviu! Ela era minha amiguinha, a alegria do meu viver!


Ninguém deixou o Sol se aproximar de mim, ele ficou todo confuso e com medo de todos, se ele estivesse ao meu lado, talvez, juntos pudéssemos salvar a vida da nossa bebezinha.


Agora estou longe de tudo, vivendo uma torturante depressão. Meu mundo que era rosa, agora está preto. Tem uma ferida indescritível em mim.


Sinto tanta saudade da minha barriga, quando durmo, ouço minha filha chamar "mamãe", "mamãe", acordo chorando. Somente às lágrimas me fazem companhia, tiraram o direito dela viver, mas ninguém se importa com isso.

Só queria voltar a viver! Eu morri juntamente com minha filha, mas ninguém quer acreditar nisso.

Um dia quero perdoar meus pais, por deixarem matar minha filha. Não gosto mais de desenhar e não quero conhecer princesa nenhuma. Que descubra uma forma de encontrar graça de viver a vida. EU SÓ QUERIA ESTAR COM MINHA FILHINHA!

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