• Jill Muricy

O Bebê MILAGRE

A existência é um milagre extraordinário, viver ultrapassa todo o entendimento da lógica humana.

Os milagres acontecem na simplicidade, em qualquer esfera da vida. Tudo é um milagre: cada dia vivido, a vida, a superação; é a forma de Deus dizer que Ele pode fazer tudo.

Isis e o MILAGRE Théo/Foto: arquivo pessoal


A superação e os milagres andam sempre juntos, toda superação tem vestígio de milagre, toda superação é um milagre.


O Início:

O milagre da superação começou muito cedo na vida de Théo Monteiro, de nove meses de vida. O paulista de Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo. Portador de uma síndrome única, filho de Isis Monteiro, a mãe que foi escolhida para ver um milagre impactante na vida de seu bebê.

Desde a infância, Isis tinha um instinto materno muito grande. Durante a noite ficava pensando com seria a própria família, pensamento incomum para uma criança de sete anos, na época. Não pensava nas bonecas, sonhava em ter uma família linda com filhos. Desde cedo a moça foi preparada para cuidar daquele que um dia viria: Théo.

A primeira gestação de Isis foi na adolescência: no dia do nascimento (uma menina), a bebê foi diagnosticada com um "sopro" cardíaco e encaminhada imediatamente para Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nesse mesmo dia, Isis teve uma forte hemorragia e necessitou de sedativos, ficou abalada por causa da saúde frágil da criança.


A garotinha imensa portava cardiopatia congênita grave: os órgãos eram desproporcionais ao corpo e o coração estava deslocado (mais para o lado direito que esquerdo). Não deu tempo os médicos descobrirem exatamente o que havia acontecido com a frágil menina, que aos quatro dias de vida faleceu antes que pudesse ser submetida à necessária cirurgia no coração.

Isis ficou desconfiada que sua filha poderia ter uma síndrome genética causada por ela. Na época tentou investigar a própria saúde, mas os médicos a tranquilizaram dizendo que a doença da bebezinha não tinha nada a ver com fator genético. Isis temia que o próximo filho pudesse ter a mesma doença da primeira filha.

Na segunda gestação, da filha Isabelle, Isis teve uma gravidez tranquila, na medida do possível. A garota nasceu saudável. Théo foi a terceira gestação, um bebê muito desejado pelos pais. Isis se preparou em todas as áreas da vida para ter mais um filho. Isabelle todos os dias colocava a mão na barriga da mãe e pedia a Deus um irmãozinho.

Em dezembro de 2019, o casal anunciou à família na noite de Natal que estava esperando um filho. Aquele momento foi sublime para todos, mas ninguém poderia imaginar como seriam os próximos dias de Isis e Renan.


O casal descobriu a condição do Théo ainda na gestação, quando Isis teve uma suspeita de COVID-19 juntamente com Isabelle, que a deixou muito mal. Não ficou internada porque o hospital estava lotado de pacientes infectados, e não era bom para uma mulher grávida ficar dias naquela casa de saúde. Mãe e filha ficaram em isolamento por 15 dias; durante aquele período Isis teria que ter feito o exame morfológico de acompanhamento pré-natal, mas não tinha como sair de casa.

Ao sair do isolamento, ela fez o exame morfológico que apontou alterações cardíacas e no quadro clínico do bebê. Isis foi encaminhada para outro médico com urgência em outra cidade. A consulta durou três horas (com duas horas somente de ultrassom para o médico confirmar tudo que Théo tinha) e foi naquele momento que o casal teve uma forte surpresa: o menino estava com alterações no cérebro, coração, veia umbilical, fígado, estômago e vascularização do corpo.

Daquele momento em diante, Renan e Isis começaram a lutar com todas as forças para salvar o bebê. Isis conseguiu uma vaga no hospital das clínicas em São Paulo, onde foi dado início o acompanhamento pela Medicina Fetal, até o nascimento de Théo. Todo exame confirmava o mesmo diagnóstico: para os pais, aterrador. Apesar disso, eles não possuíam a certeza de como realmente Théo nasceria. Isis já sabia que após dar à luz o bebê não iria para casa com ela, ficaria internado. Ela só não imaginou que ele passaria sete longos meses no hospital.


Nascimento do Théo:

Théo veio ao mundo, em 26 de julho, de 2020, por volta do meio dia, com 44 cm e 2,500kg; nos primeiros minutos de vida já foi intubado e levado direto para a UTI, sem conhecer o colo da mãe. Com um mês de vida, passou por duas cirurgias de peito aberto e uma reparação. Depois teve gastrostomia, e mais três cirurgias com anestesia geral em somente nove dias. As incisões no pequeno abdome eram grandes.

Théo lutando pela VIDA na UTI/Foto: arquivo pessoal


Todos os parentes aguardavam ansiosamente pelo lindo menino, mas primeiro ele precisaria superar algumas realidades naquele ambiente, para depois conhecer a própria casa. Seria um tempo delicadíssimo, mas ele ia conseguir. Do diagnóstico do médico, algumas coisas não se confirmaram, pois inúmeros laudos deram a confirmação, mas a suspeita de alteração no cérebro e no esôfago não se confirmou. Isis pedia a Deus toda noite para curar essas duas partes no corpo do filho, ela sonhou com a cura.

Théo tão pequeno e tão FORTE/Foto: arquivo pessoal



Isis Monteiro trabalhava como gerente e administradora de uma clínica médica, há 12 anos, era o braço direito do patrão. Pediu demissão para cuidar do filho. Após a chegada do Théo, ela precisou ficar no hospital para acompanhar o bebê na UTI, Renan voltou para casa, pois precisava trabalhar. A situação financeira da família não estava boa. Mas a fé em Deus era inabalável.

O pai de Isis abriu mão da própria vida para ir todo dia com a filha para o hospital em São Paulo. O deslocamento acontecia de um bairro afastado na própria cidade. Ele, mecânico autônomo, com vários problemas na coluna, dirigia por cerca três horas diariamente, para Isis cuidar do Théo. Isis e Renan só se viam aos sábados, dia que ele ia ficar com a família na capital paulista.


O Batismo do Théo:


Théo estava na UTI em estado gravíssimo, daí o hospital deu a opção de trazer uma visita religiosa. Apesar da pandemia, foi autorizado a presença de alguém, porque era como se Théo fosse partir naquele dia. Isis chamou o Frei Gilson, o Sacerdote que ela admira. Ele foi responsável pelo seu processo de conversão à igreja católica, pois antes era espírita. Ao chegar ao hospital, o frei disse que não queria apenas rezar pelo garoto, mas batizá-lo. Théo foi batizado e algo diferente começava acontecer.

Théo e os sinais de melhora/Foto: arquivo pessoal



A alta hospitalar do Théo foi programada, mesmo assim os médicos não descobriram o nome da doença que o menino possui, ele é o único portador conhecido no mundo até o momento. Estava chegando o grande dia do guerreiro conhecer a própria casa, pois havia morado sete meses no hospital. Para isso, a família precisaria conseguir todos os aparelhos necessários para a recuperação do garoto, e se tudo corresse bem ele teria alta no dia marcado.

Os Monteiros não estavam em condições financeiras de comprar a aparelhagem, mas teve ajuda de amigos e da prefeitura da cidade. E no tempo estimado o garoto recebeu a tão esperada alta hospitalar. Isis estava muito fragilizada com situação, e ficou sem acreditar que levaria seu doce menino para casa. Era como se Théo tivesse nascido naquele dia.


A SUPERAÇÃO:


Pela primeira vez Théo viu a luz do sol e respirou um ar diferente. Atualmente, ainda tem o dia a dia bem delicado: toma muitos remédios, o leite fórmula infantil é dado via sonda nasal. Precisa ficar quietinho para se alimentar, senão a sonda sai, e quando sai dá muito trabalho recolocar. Tem muita diarreia, porque faz parte do processo de adaptação à nova rotina. Está começando a gostar de ficar no colo, chora quando vai para o berço.

MILAGRE chamado Théo/Foto: arquivo pessoal


Toda semana passa por fonoaudióloga, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, e faz estimulo oral para deixar de usar sonda. Isis é dedicada a Théo e às necessidades dele. Apesar de ser aconselhada a desistir do Théo no hospital, a brava mãe lutou com todas as forças para salvar o filho, que progride a cada dia rumo à cura total do quadro de saúde. “O bebê mudou tudo na família Monteiro. Tudo é colorido com a presença dele, a vida faz sentido. É uma honra ser a mãe do Théo”, afirma Isis.

A transformação é concreta na vida da guerreira mulher, ela tem um olhar completamente diferente pela existência. É extremamente feliz e realizada, tranquila, tem confiança em Deus. Vive em paz. Ainda luta pela saúde do Théo, mas nada se compara como antes: hoje ela o carrega no colo, e de vez em quando vai passear na praça, com ele nos braços.


Mêsversário de oito meses do Théo, o primeiro celebrado em casa/Foto: arquivo pessoal


A família Monteiro lutou bravamente para ter o MILAGRE Théo em seus braços, principalmente a incansável Isis. A ORAÇÃO foi fundamental e indispensável para que tudo se ajeitasse.

Renan,Isis e Isabelle, hoje vivem diariamente contemplando o grande MILAGRE em suas VIDA: o Théo.











































Destaque
Tags